Manobras dos sentimentos de Raquel

Eu queria esquecer todos os meus pensamentos hostis. Queria pensar só em Raquel. Algo em mim pulsava forte demais para esbanjar um simples desejo. Eu queria ir além. Naquela noite calma e sem procedência, tudo estaria pronto a mudar, bastaria apenas uma pontada de coragem de minha parte.

Nunca expressei tão firme meus sentimentos com a Raquel, mas eu já não suportava mais. Eu amava seu jeito meigo e delicado de me tratar como meu cristal, que brilhava em mim a intensidade dos meus melhores sonhos e desejos por ela. Notei que meu pensamento criou um ateliê pronto a recordar dos nossos melhores momentos. Não hesitei, saí daquela cadeira do PC e me aproximei um pouco rápido dela na cama. Meus olhos fitados nela me deixou firme em cada um dos meus passos a seguir. Minha mão direita em cima da mão dela, meu rosto aproximando-se do seu pescoço limpo e que se contorcia em desejo pelos meus beijos leves e precisos. Ao beijar rápido, passei pelos arredores e senti minha profunda inspiração, que ao causar pequenos arrepios lá fez ela sorrir e soltar um leve sorriso estendido pela sua respiração quase ofegante.

- E o trabalho como fica? - Perguntou ela falando pausadamente.

Não respondi rápido, mas pressionei meu corpo em cima dela e meus lábios já quase encaixados com os dela queriam esperar. Apenas sussurrei monossilabamente para esperar. Então foquei meu braço esquerdo em sua cintura, entre a cama, e puxei contra mim e beijei-a forte, tão ofegante, pegando ela de surpresa. Meus movimentos calmos e fortes corporalmente a deixara animada. Percebi suas mãos em meu cabelo após ela fazer um pouco de força e então sentido a doçura de seus lábios, abri meus olhos e acabei encontrando os dela abertos também, fiquei levemente confuso, mas puxei seu rosto mais uma vez para perto do meu e me deixei preencher por esse sentimento.

A realização de beijar quem muito se ama é algo lindo. Muitas vezes esperamos tanto pelos "momentos certos" que nos esquecermos da beleza do improviso. Na vida, certas cenas são novas no roteiro e por nunca temos feito antes, o jeito é tentar qualquer coisa, desde que se esteja feliz, claro. Gabriela nunca havia expressado tanto amor e jeito feliz em beijar, nem nos momentos mais ofegantes. Não estou comparando ninguém, mas senti pela primeira vez que estava pronto para ir fundo nesse amor. Seria algo patíbulo? Não sei... as intimidades que tinhamos eram poucas, mas havia grande respeito e paixão em nossos movimentos, não parecia algo passageiro, mas sim, tão real quanto qualquer sentimento que ardia dentro de mim.

- Eu te amo muito, Dan! - Disse ela em tom suave com seu hálito delicioso em meu rosto.

- Nossa vida está tão legal agora, tudo dá certo... tudo está ao nosso favor. Descobri que te amo intensamente, eu quero você sempre comigo... eu te quero, eu te queeeeeeeero! - Respondi sorrindo, aumentando o nível de voz no final da frase.

- Por quê você me ama tanto, hein? O que eu faço pra te causar tanto amor assim? - Ela respondeu sorrindo também, o que me fez rir meio descontrolado por um breve instante.

- Você é linda!

- Sim, que seja. Mas você me ama mais pelo quê?

Peguei em seu rosto. - Você é gentil comigo, me trata bem, me faz ser espontâneo... não há truques, agrado barato, não há planos... só há sentimentos puros, sem precisar mudar algo para agradar. Não há exigências, brigas, conflitos... eu te disse como era incrível isso.

- O que você mais gosta em mim?

- Não posso mentir... mas...

- Ow, claro que não... - respondeu ela quase gritando.