Convidei o poucos dos colegas da rua que tinha e que jogavam bola para uma festa escolar. Não era nada demais para mim, apenas um motivo para não ficar em casa. Gregório e Watson estavam alegres até demais por esse evento. Faziam planos para chegarem depressa nas garotas conhecidas da festa. Eu nem sabia que a Melissa iria, mas quando a vi não pude deixar de escapar um sorriso singelo no canto direito da boca. Não era para ela perceber, claro. Nunca gostei de reggae e samba, porém, estava agoniado com os sons desse lugar profano. Suas danças não entravam em minha cabeça e além de me dar nojo, faziam eu tolerar essa festa toda sentado. Gregório não aguentou em soltar uma piada:
- Ei Miguel, vamos aproveitar essas vibrações positivas?!
- Vibrações positivas, é? Vira que eu te mostro! - Não gostei desse convite ao inferno.
- Ei cara, pega leve! - Retrucou ele indignado.
Watson chegou com duas garotas, uma para ele e uma para... para mim?
- Oi Miguel. - Puxou conversa a garota.
- Olá, tudo bom? - Desconfiei de sua ousadia rápida. Foi então que eu percebi que trava-se de Juliana, a vizinha que ri das coisas que minha mãe falava e gritava sobre mim. Não pude esconder minhas bochechas vermelhas envergonhadas, porém era praticamente impossível de se notar, de fato. Mas não hesitei. Ao observa-la, demorei para notar que havia crescido, cortado o cabelo, estava ruiva e com uma enorme franja, seu salto alto a deixava aproximadamente com 1,69 centímetros, quase próximo de meus 1,72. Além de um energético na mão, sua maquiagem também demonstrava certa preocupação em querer parecer adulta. Então ela me perguntou:
- Que tal dançar uma música comigo? - Falou animada, fazendo-me perceber que o DJ trocara de ritmo, estávamos agora ouvindo Dance Music, porém uma música desconhecida.
Mas Melissa era o meu objetivo. Ela não poderia me ver com alguém, mesmo ela não sabendo que eu ainda estava interessado em resolver essa situação. Eu ia fazer parecer natural. Estava prontamente preocupado sob a primeira impressão que a causei hoje. Com um fático pedido de "um instante, por favor", eu saí do local a procura do meu real objetivo encontrado. Já não era mais sair de casa, era conversar com ela.
Muitas pessoas empurravam demais, quase não havia espaço para eu me mover ali. Saindo do salão principal, avistei um grupo de meninas, eram quatro. Todas bem vestidas e de chamar atenção de muitos garotos. Porém ela estava atrás, mas fazia parte desse grupo, mas não se vestia como ele. Com uma linda calça jeans de umas ranhuras estranhamente legal, usava também uma camisa azul escuro. Combinava. Seu cabeço castanho castanho e liso estava para frente, e seu resto apenas tinha um leve lápis nos olhos. Nos bolsos de sua calça suas mãos estavam, apenas com os polegares para dentro. Sua forma parecia dizer que estava legal para conversar. Ao me aproximar senti vergonha em minha desengonçada reação com as mãos, quase topei em um pedra ao chão. Sabia que precisava ser rápido para não passar qualquer tipo de vexame. Mais próximo ainda, acabei falando depressa:
- Oi Gaby, que legal ter você aqui. - Meio que arregalei os olhos ao notar o modo íntimo de chamar e a estranha alegria por ela estar presente demonstrada em minha fala. Mas esse gesto a deixou um pouco impressionada pelo seu sorriso, que a fez falar espontaneamente.
- Oi Daniel. Que bom te encontrar. Como tá você? - Estendeu a mão para mim. - Vejo que estamos combinando, hein?
Foi então que notei a semelhança. Também usava uma calça jeans clara com ranhuras, uma camisa azul escuro, diferenciada apenas por ser abotoada, meio que social. Aff, eu sou desapercebido demais! Ela deu mais risada quando eu me reparei.