Prólogo

Eu amo finalzinho de tarde no verão, principalmente nessas cidades pequenas, que trazem uma brisa suavemente deliciosa após um dia quente. Uma boa lua cheia está esperando a hora de refletir ao rio da fazenda e clarear o campo, tão distante quanto nada, e ao mesmo tempo perto quanto tudo. O que eu preciso mesmo é sentir isso pela última vez, antes de seguir o meu destino. Pena que não é tão fácil assim. Certas decisões requer tempo até demais. Mesmo que eu não tenha motivos para me preocupar tanto, eu estou agoniado por alguma resposta. Em algumas situações parece que nada nesse mundo existe sem classificar. Como eu posso arriscar se eu nunca tenho nada definido?

Mesmo assim, a gente tenta viver como pode, da maneira que o roteiro manda. Tenta ser forte, fingir que deu a volta por cima e demonstrar que está tudo bem. Ah, além de apresentar status de que é superior e que não liga. Nobre da minha parte. Hostil, talvez. Pelo menos seria perfeito se meu sacrifício fosse levado em conta. Em um final de relacionamento o importante é mostrar que está bem. Melissa também nunca foi boa com relacionamentos. Quanto a mim, de um lado estão meus medos de tentar e me arrepender de novo, e do outro, talvez a melhor oportunidade da minha vida.

- Eu não sei o que fazer, Louis. Isso é fato! - Franzi a testa, quase deixei um pedido de ajuda, mas não ficou claro que gostaria muito de saber que poderia haver uma nova tentativa.

- Sério? Isso é tudo? - Ele perguntou exasto por tentar fazer eu esclarecer algo relativamente útil. - Assim você não vai chegar a lugar nenhum, Miguel. Não sabe se quer, se deixa ir, se vai tentar ou vai ficar esperando a Melissa fazer alguma coisa. Então pode voltar pra lá e deixar acontecer. Ela também vai esperar a mesma coisa e ficará por isso mesmo.

- Cara, fica com a Raquel. Pelo menos com ela o sexo está garantido, hahaha! - dizia mais uma vez Erik, de entrometido.

Eu nunca havia parado pra pensar, mas realmente existem pessoas fáceis demais. Uma saidinha no final de semana, uma bebida meio leve, e poucos minutos depois, ela é sua. O retardado do Erik seguia essa linha de raciocínio como se fosse lei, e com ele tudo dava certo. Atrás de um ser nojento, sua necessidade humana era como um animal predador em busca da "caça perfeita", como ele dizia. Ele se envolvia, mas não tanto. Achava que mulher era algo que não precisava se envolver profundamente, do contrário estaria lascado. Já comigo, parece que todo o mundo resolveu relevar os seus segredos, sendo que ao mesmo tempo, eu não fazia parte deles. Dúvidas se misturavam a palpites e a futuros incertos, e mesmo que essa cidade calma e pequena de São Joaquim me fizesse tão bem, aqui certamente não era o meu lugar. Está na hora de colocar os pés na estrada voltar a realidade dos meus problemas.